CRÓNICA: OUVIR PARA SORRIR

 Como todos os dias, as pessoas entram nos seus carros fazendo as mais variadas coisas, fechados nos seus mundos. Porém, uma inspiração muda tudo e só percebi isso numa manhã em São Paulo enquanto aguardava a abertura do sinal. Para distrair-me, ia mexendo no telemóvel, enquanto ouvia a minha estação de rádio favorita. Olhando à minha volta, via muitas outras pessoas que, como eu, mostravam-se aborrecidas e solitárias nos seus carros. Ninguém sorria. Eu, ao ouvir uma música de que gostava, subi o som do rádio. Terminados as últimas notas, ouvi uma voz masculina que, pelo rádio, chamava a minha atenção. O locutor propunha uma troca de sorrisos com os passageiros dos outros carros. Afirmava que, caso estes estivessem a ouvir o mesmo anúncio sorririam de volta. Curiosamente foi isso que aconteceu: sorriram-me e eu sorri também. 

Soube depois que aquele anúncio fazia parte de uma campanha publicitária que procurava incentivar as pessoas a serem simpáticas e afáveis umas com as outras. Procurava levá-las a sair da solidão habitual. Parece-me uma ótima ideia e tenho a certeza de que deveria ser copiada por muitas outras cidades onde as relações entre as pessoas tendem a tornar-se cada vez mais impessoais e sisudas. 

Depois de viver uma experiência como esta, voltei para casa muito bem-disposto. Até alterei a minha forma de estar no trânsito: agora tento sorrir a quem nos rodeia e espero melhorar o dia de alguém como já melhoraram o meu. 

 

Redigida pelos alunos do 9.º  ano, do 3.º CEB